Floripa amplia oferta de abrigo à população de rua

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A Prefeitura de Florianópolis, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas), vai ampliar, temporariamente, em até cerca de 60% o número de leitos destinados ao pernoite de pessoas em situação de rua. A ação, na qual também está envolvida a Defesa Civil municipal, começou a funcionar nesta quinta-feira (7), na Passarela do Samba Nego Quirido, já atendeu 20 cidadãos e vai acontecer pelas próximas duas noites, pelo menos.

O plano municipal para mobilização e desmobilização do ponto de apoio provisório prevê a disponibilização de 100 leitos, sempre que a temperatura estiver por volta de 9ºC.

Por conta disso, a possibilidade de dormir em estrutura própria ou conveniada à Prefeitura passará de 160 para 260 leitos. Já o total de pessoas deste segmento a serem beneficiadas com espaços de assistência social pulará de aproximadamente 230 para 330.

De acordo com o plano, o ponto de apoio provisório para o enfrentamento do frio deve funcionar nos camarotes da Passarela, no horário das 19 às 7 horas, até o fim do mês de agosto. Diferentemente do que ocorreu no rigoroso inverno de 2013, no entanto, desta vez o poder público não está oferecendo refeições nem banho aos homens e mulheres abrigados no local.

Ainda vale destacar que a ação conta com apoio do governo do Estado, e que a manutenção da ordem e da segurança do espaço está sob a responsabilidade da Guarda Municipal.

Estrutura permanente

Ao longo de todo o ano, independentemente da estação ou da temperatura ambiente, a Secretaria de Assistência Social disponibiliza estrutura própria ou conveniada a cerca de 230 pessoas em situação de rua, oferecendo leitos na Ilha e no Continente para 70% delas. Graças a isso, por volta de 135 homens e de 25 mulheres têm onde dormir diariamente.

No Albergue Municipal, aproximadamente 40 homens e 10 mulheres apenas pernoitam, podendo permanecer no local no mesmo horário em que agora vai funcionar o ponto de apoio provisório da Passarela Nego Quirido. Mas cerca de 95 homens e 15 mulheres residem na casa de acolhimento, que também funciona no prédio do albergue, na Casa de Passagem para Mulheres em Situação de Rua e/ou Violência e na Casa de Apoio Social ao Morador de Rua, pertencentes à Prefeitura, bem como na Casa de Acolhimento Engenho de Deus, vinculada à Paróquia do Ribeirão da Ilha, e na Casa de Acolhimento do Projeto Escrava Anastácia, do Instituto Padre Vilson Groh, conveniadas.

“É a casa deles”, disse a diretora de proteção social especial da Semas, Kátia Abraham, tendo em vista que a população contemplada dispõe de estrutura 24 horas por dia, durante toda a semana. Além de dormitório, é onde fazem todas as refeições, cuidam da higiene pessoal e de seus pertences, são encaminhados para serviços de saúde, para o mercado de trabalho e até mesmo para capacitações, além de receberem apoio psicossocial. Cada um dos lugares que atendem pessoas em situação de rua tem um psicólogo e um assistente social.

No Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP), que igualmente integra a estrutura própria da Prefeitura, são atendidos aproximadamente 120 cidadãos, entre eles cerca de 15 mulheres. Cabe ressalvar que no contingente está incluído o pessoal que dorme no Albergue Municipal, porque também utiliza este espaço.

O Centro POP funciona das 8 às 17 horas, de segunda a sexta-feira. Ali são oferecidas três refeições (café da manhã, almoço e lanche da tarde), banho com direito a toalha, produtos de higiene e até empréstimo de aparelho de barbear, estrutura com tanques, varais e sabão para a lavagem de roupas, telefone fixo para comunicação com familiares e entregas de roupas e cobertores adquiridos pela própria Secretaria de Assistência Social ou doados por terceiros.
Além disso, há atendimento psicossocial – que lá é reforçado, uma vez que conta com duas duplas de psicólogo e assistente social, tanto no período da manhã quanto da tarde, oficinas de esporte, artesanato, música e corte de cabelo, entre outras, também viabilizada pela administração municipal, ou em parceria com projetos de fora e voluntários.

“É no Centro POP que fica o QG do serviço de abordagem social”, informou a diretora de proteção social especial da Semas. Segundo ela, os profissionais da área estão sempre tentando atrair as pessoas em situação de rua para as estruturas de que necessitarem, seja assistencial ou de saúde. Além disso, todas as unidades voltadas para este público buscam promover o restabelecimento do vínculo com a família e a reintegração na sociedade em geral.

Ao todo, por volta de 100 servidores públicos atuam junto às pessoas em situação de rua. “A Prefeitura tem um trabalho contínuo, de ‘formiguinha’, com este segmento, composto em sua maioria por usuários de álcool e drogas, muitos deles com transtornos mentais ou doenças psiquiátricas”, relatou Kátia.

Resistência

Na primeira etapa do Projeto Contagem da População em Situação de Rua feita pela Semas, cujos resultados foram apresentados à Câmara Municipal no início de junho, a Capital catarinense possuía 421 cidadãos vivendo esta realidade.

Agora, se o número ultrapassa a quantidade de leitos disponíveis para pernoite durante a temporada de frio intenso, a diretora Kátia chama a atenção para a resistência que o pessoal que faz a abordagem de rua encontra durante seu trabalho. “Mesmo oferecendo o melhor lugar para ficar, tem gente que não vai de jeito nenhum”, afirmou.

Estrutura de rede própria da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas)

 

** Na Ilha:

* Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua -Centro POP (cerca de 120 usuários por dia, entre eles, aproximadamente 15 mulheres)  – no Centro

* Unidade de Acolhimento Institucional /Albergue Municipal (50 leitos, sendo 10 destinados para mulheres) – no Centro

* Unidade de Acolhimento Institucional /Casa de Acolhimento (30 leitos para homens) – no Centro

 

* Casa de Passagem para Mulheres em Situação de Rua e/ou Violência (15 leitos para mulheres) – na Agronômica

** No Continente:

* Casa de Apoio Social ao Morador de Rua (30 leitos para homens) – em Capoeiras

Estrutura de rede conveniada (co-financiada pela Semas através de convênio)

** Na Ilha:

* Casa de Acolhimento Engenho de Deus vinculada à Paróquia do Ribeirão da Ilha (15 leitos para homens) – no Rio Tavares

* Casa de Acolhimento do Projeto Escrava Anastácia do Instituto Pe. Vilson Groh (20 leitos para homens) – no Monte Serrat

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